O negro no cinema brasileiro
- Kennedy Saldanha

- 1 de jul. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 17 de mar.
O cinema brasileiro, ao longo de sua história, tem sido um espelho das complexidades e diversidades do país. Uma dessas facetas importantes é a contribuição e representação da população negra.

O cinema brasileiro, ao longo de sua história, tem sido um espelho das complexidades e diversidades do país. Uma dessas facetas importantes é a contribuição e representação da população negra. A presença do negro no cinema brasileiro é vital não apenas para uma representação mais fiel da sociedade, mas também para a valorização de suas histórias, culturas e lutas.
História e Representação
Historicamente, a representação dos negros no cinema brasileiro passou por diversas fases. Durante muito tempo, os papéis destinados a atores negros eram estereotipados e limitados, refletindo o racismo e a marginalização que a sociedade impunha. Personagens negros eram frequentemente relegados a papéis subalternos, como empregados domésticos, ou estereotipados de forma negativa.
No entanto, ao longo dos anos, houve uma gradual transformação. Filmes como "Orfeu Negro" (1959), que ganhou a Palma de Ouro em Cannes, trouxeram para o cenário internacional uma visão mais rica e complexa da cultura negra brasileira. Na década de 70, o movimento do Cinema Novo começou a abordar questões sociais de forma mais crítica, incluindo a desigualdade racial.
Avanços e Conquistas
Nos últimos anos, a presença e a influência de cineastas, roteiristas e atores negros têm crescido significativamente. Filmes como "Cidade de Deus" (2002), dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, destacam-se por sua abordagem crua e realista das favelas e da vida dos jovens negros. A obra foi aclamada internacionalmente, colocando em evidência a necessidade de discutir e representar a realidade dos negros no Brasil.
Além disso, a produção de filmes independentes e documentários tem se mostrado uma ferramenta poderosa para dar voz a narrativas que antes eram invisibilizadas. "Que Horas Ela Volta?" (2015), de Anna Muylaert, e "Bacurau" (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, embora não sejam centrados exclusivamente em personagens negros, trazem reflexões profundas sobre a desigualdade e a resistência.
O filme cearense "Cabeça de Nêgo" (2020), dirigido por Deó Cardoso, é um exemplo contemporâneo marcante. A trama aborda a história de Saulo, um jovem estudante negro que enfrenta o racismo e a opressão no ambiente escolar. Com uma narrativa que mistura elementos de ficção e realidade, o filme traz à tona questões urgentes sobre desigualdade racial e resistência. A obra foi amplamente reconhecida por seu impacto social e por oferecer uma perspectiva autêntica da juventude negra. Outra obra fundamental é o filme Paloma, dirigido por Marcelo Gomes, que conta a história de uma mulher trans preta que sonha oficializar a sua relação com seu companheiro casando-se em uma igreja no sertão pernambucano. Partindo deste tema nasce uma obra que questiona os valores morais de uma sociedade patriarcal, racista, homofóbica e seus travestidos poços de bondade e fé, sem perder a esperança no amor.
O Papel da Academia
A academia tem desempenhado um papel fundamental na análise e promoção da representatividade negra no cinema. Pesquisadores e críticos têm se debruçado sobre a filmografia brasileira para entender como as narrativas negras são construídas e representadas. Estudos como os de Joel Zito Araújo, autor do livro "A Negação do Brasil", investigam a invisibilidade e os estereótipos dos negros na televisão e no cinema, evidenciando a necessidade de mudanças estruturais na indústria audiovisual.
Além disso, cursos e programas acadêmicos focados em cinema e estudos afro-brasileiros têm fomentado o debate e a formação de novos cineastas comprometidos com a diversidade e a inclusão. A produção acadêmica tem sido crucial para legitimar e ampliar o espaço das narrativas negras no cinema brasileiro.
Desafios e Perspectivas
Apesar dos avanços, a luta por uma representação equitativa e justa continua. A indústria cinematográfica brasileira ainda enfrenta desafios significativos em termos de racismo estrutural e oportunidades desiguais. A presença de profissionais negros atrás das câmeras, em papéis de direção e produção, é crucial para a criação de um cinema verdadeiramente inclusivo e diverso.
Iniciativas e coletivos têm surgido para apoiar e promover o trabalho de cineastas negros, como a Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN). Essas iniciativas são essenciais para romper barreiras e garantir que as histórias e perspectivas negras sejam contadas por aqueles que as vivenciam.





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