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Jurados falam dos prêmios da Mostra Brasileira de Cinema

A Mostra Brasileira de Cinema Universitário teve três júris: Oficial, da Crítica e dos Bolsistas. Os três descreveram um pouco sobre os critérios de escolha dos vencedores do NOIA 2019. Conheça o que motivou cada premiação.

JÚRI OFICIAL DA MOSTRA BRASILEIRA DE CINEMA
O júri oficial da mostra brasileira de curtas do 18º Festival Nóia, composto por Diego Akel, Levy Freitas e Marina Holanda, considera, nesta oportunidade, a urgência de pensar qual imaginário comum estamos querendo construir a partir do cinema, e da linguagem audiovisual como um todo. Entendendo toda ação coletiva como gesto político, o que queremos premiar? Para quem estamos batendo palmas? Quais critérios fundam a nossa percepção crítica? Sobretudo, para onde apontam as produções universitárias brasileiras, no contexto em que estamos vivendo? Quais as imagens que não queremos mais ver?

Compreendendo este lugar do Festival também enquanto espaço formativo em constante construção, é válido também questionar as próprias categorias de premiação, dentre outras lógicas de competição que tendem a alimentar estruturas de exclusão e apagamento. Entretanto, imbuídos desta tarefa, chegamos ao resultado que vocês vão conhecer agora.

MELHOR ATRIZ/ATOR
Nada Além da Noite - Léa Garcia
Nada Além da Noite - Augusto Magno Maciel

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Diz que é verdade - Claryssa Almeida e Pedro Estrada
Pela brilhante criação visual de um universo único, realizada com extremo cuidado, esmero e atenção aos detalhes que envolvem e conduzem a narrativa a um outro patamar.

MELHOR FOTOGRAFIA
Diz que é verdade - Claryssa Almeida e Pedro Estrada
Pelas escolhas acertadas, ousadas e sofisticadas em um trabalho forte porém discreto, num diálogo perfeito com a direção de arte.

MELHOR SOM
Oração ao Cadáver Desconhecido - Sávio Fernandes
Atmosfera sonora trabalhada em nível sensorial, acrescentando camadas em diferentes texturas na trama, em diálogo com os recursos visuais presentes em toda sua pós-produção.

MELHOR MONTAGEM
Rebento - Vinicius Eliziário
Uso do recurso da linguagem como principal ferramenta para forjar o tempo passado-presente dentro da narrativa, contemplando também toda a composição dramatúrgica do filme.

MELHOR ROTEIRO
E o que a gente faz agora? - Marina Pontes
Metalinguagem utilizada a partir de perspectivas para as lésbicas negras. Lugar de afirmação de subjetividades previstas pela escrita de quem vivencia.

MELHOR DIREÇÃO
Pouso Autorizado - Áquilla Jamille
Por sua abordagem incrivelmente pessoal e seu domínio cinematográfico, mesclando os limites entre linguagens, abordagens e narrativas.

MELHOR CURTA-METRAGEM
O verbo se fez carne -  Ziel Karapotó
Entendendo o lugar do Cinema enquanto território também de demarcação, abrindo espaço para a performance, em seu poder de síntese, numa perspectiva anticolonial e precisa na forma de dizer sobre a história não só de um povo, mas de um trauma civilizatório de um país.

05 de dezembro de 2019, Fortaleza/Ceará

Diego Akel
Levy Freitas
Marina Holanda

JÚRI DA CRÍTICA DA MOSTRA BRASILEIRA DE CINEMA
Acreditamos que o cinema tem papel fundamental na construção de um pensamento crítico que nos lança ao conflito, à duvida e ao desejo de agregar sentidos ao viver em sociedade, sobretudo no quis diz respeito à memória viva de culturas. Por experimentar com excelência e sensibilidade a linguagem cinematográfica (com destaque à construção sonora) e por denunciar os surtos de etnocídio de nações indígenas, que há mais de 500 anos resistem às políticas da morte no Brasil e, em resposta a isso, ao protagonizar em cena, em memória e em carne viva o cinema indígena independente, a Associação Cearense de Críticos de Cinema (Aceccine) premia como melhor curta-metragem do 18º NOIA o filme "O Verbo se Fez Carne" de Ziel Karapotó. Vale lembrar a fala de Ailton Krenak sobre o retrocesso promovido pelo governo Bolsonaro: “Somos índios, resistimos há 500 anos. Fico preocupado é se os brancos vão resistir.”

Fortaleza, 04 de dezembro de 2019.

Thiago Sena
Larissa Bello
Kamilla Medeiros

JÚRI DOS BOLSISTAS DA MOSTRA BRASILEIRA DE CINEMA
Considerando o atual contexto político em que vivemos, a desinformação gerada pelas fake news, o aumento da violência à minorias sociais como os negros, mulheres e pessoas LGBTQI+. Além dos cortes direcionadas a atividades culturais o júri especial formado por bolsistas da 18 edição do Noia elegeu como filme vencedor o curta-metragem Copacabana Madureira. Já que a obra consegue usar do contexto social para fazer  uma crítica à atual situação política e social do país a partir de um roteiro bem feito, fotografia excelente e um design de som bem executado.

Fortaleza, 06 de dezembro de 2019.
Júri composto pelos bolsistas da 18ª edição do Festival NOIA.